Deserto do Atacama
O maior deserto da América do Sul, alcançado por um desvio de 400 km que não estava no roteiro. A altitude cobrou o preço: falta de oxigenação e mãos quase congeladas a cinco graus negativos.
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Rio de Janeiro · Uruguai · Argentina · Chile
Iris Vasconsellos passava quatro horas por dia no transporte público até juntar dinheiro para a primeira moto. Seis anos depois, atravessou a América do Sul sozinha e chegou ao maior deserto do continente.
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Carioca, Iris morava em Duque de Caxias e estagiava em Botafogo. O trajeto consumia cerca de quatro horas do seu dia, entre superlotação e condições difíceis. Encarou essa rotina por anos.
Ela juntou dinheiro para comprar a primeira moto e deixar de depender do transporte público. Já habilitada, comprou uma Suzuki Intruder 125 ano 2017 — uma das últimas fabricadas no país. Ouviu de tudo, inclusive por que não comprava uma Biz.
Um acidente grave a deixou quinze dias de cama. Não foi o ponto final: foi o start. Ali ela decidiu planejar uma viagem solo e conhecer o mundo lá fora.
Estudou os países da rota, conversou com quem já tinha rodado os mesmos caminhos e fez a revisão completa da Kawasaki ER-6N 2014. Levou dois celulares por segurança e baixou todos os mapas para uso offline.
Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. Pelo caminho encontrou o M.A.I. — Moto Ayuda Internacional, rede de motociclistas que se ajudam entre países com rotas, hospedagem e socorro. Segundo ela, foi o que permitiu viajar sozinha e se sentir segura.
Em Purmamarca, na Argentina, conheceu um grupo de brasileiros indo para o Atacama. Estava a 400 km do deserto e foi convencida a ir. Virou o maior desafio da viagem.
O maior deserto da América do Sul, alcançado por um desvio de 400 km que não estava no roteiro. A altitude cobrou o preço: falta de oxigenação e mãos quase congeladas a cinco graus negativos.
A escultura de Mario Irarrázabal, cravada na areia a caminho de Antofagasta. Um dos pontos que Iris registrou na travessia.
Onde a viagem mudou de rumo. Foi aqui que ela cruzou com o grupo de brasileiros que a convenceu a subir até o Atacama.
Apenas destinos com registro público em matéria jornalística estão listados. Outras viagens entram aqui conforme forem documentadas.
Na travessia pela América do Sul, Iris se apoiou no M.A.I. — Moto Ayuda Internacional. É uma rede em que motociclistas se cadastram e encontram gente disposta a ajudar em cada país: rotas, solução de problemas, hospedagem e, às vezes, um lugar na própria casa. Foi o que tornou possível viajar sozinha com segurança.
Fonte: Motonline, 2023
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